BANDA IMPERDÍVEIS - Adjuntos Cervejeiros

Adjuntos cervejeiros

Existe uma mística para os brasileiros de que adjuntos cervejeiros são utilizados em cervejas de procedência duvidosa, porém, nem tudo é verdade. Em países onde a cultura cervejeira é mais consolidada, sabe-se da importância destes adjuntos para os diferentes estilos cervejeiros.

BANDA IMPERDIVEIS - Cerveja Na Jarra

revolução das cervejas especiais no Brasil aconteceu um pouco “bem mais” tarde que em outros países da própria América do Sul. Nos países que pude visitar, entre eles o Chile, a Argentina, o Perú e também o pequeno Uruguai, por lá os bares já pareciam ter bastante malícia com a bebida produzindo suas próprias cervejas e não as tratando mais como novidades. Em Puerto Varas estendia meu happy hour até às 9 da noite (ainda dia) provando cervejas servidas em “jarras”, observando o Osorno e pensando: “Como no Brasil não encontramos lugares assim?”. Estou falando de bares com cervejas próprias, não do vulcão…

Na verdade, em São Paulo já havia os pioneiros Frangó, na Freguesia do Ó (Recomendo!) que apresentava uma carta bem variada de cervejas especiais, a Cervejaria Nacional, que trazia o conceito de pub com deliciosas cervejas próprias e alguns poucos outros bares.

Em lugares onde a cultura cervejeira já é conceituada como a Europa, o uso de açúcares ou mesmo do milho fazem parte de icônicos estilos, como o caso do belga Blond Ale da quase milenar cervejaria de abadia Leffe. Na Escócia, o uso do sorgo é comum! Na Inglaterra, renomados estilos levam açúcares e mesmo na Alemanha com sua lei de pureza (outro assunto carregado de preconceito), o estilo Leipziger Gose leva adição de bactérias láticassal marinho e sementes de coentro.

BANDA IMPERDIVEIS - Leipziger Gose

Talvez pelo fato de ainda sermos bebês cervejeiros, muito preconceito se propaga em torno da cerveja sobre temperatura, sobre o estilo Pilsen e principalmente sobre adjuntos e cereais não maltados, mais especificamente ainda com o milho. No Brasil, com uma legislação cervejeira ainda precária e protecionista, ficamos propensos a duvidar da idoneidade das grandes empresas cervejeiras que colocam em seus rótulos apenas o uso de adjuntos e cereais não maltados, não nos dizendo quais são e ainda podendo usar até 45% destes insumos com o único propósito de reduzir custos!!!

Parece que isto está mudando em grande parte pela luta dos desbravadores cervejeiros que, livres de preconceitos, criam e recriam suas receitas não só com cereais, mas com temperos que dão personalidade para a cerveja nacional. Pequenas cervejarias e “caseiros” que se valem de aromas e sabores de madeiras, frutas e especiarias diversas em suas receitas sabem a importância da experimentação para se chegar a resultados únicos. Em terras brasilis já temos cervejas só de arroz ou milho, com frutos amazônicos, sem lúpulo e agora até com lúpulo nosso, o Mantiqueira! (Pra quem não conhece, pode-se prová-lo na cerveja Märzen da Baden Baden).

Se tivermos que criticar algo, que tal começarmos pelos grãos geneticamente modificados, propilenoglicol, antioxidante 224 e 316, estabilizante 405, dióxido de carbono 290 e até bexiga de peixe, que parece inofensiva mas causa muitos problemas para os coitados dos peixes.

Como nem tudo são flores em um mercado tão competitivo, as cervejarias mundiais têm substituído gradualmente o milho e o arroz por adjuntos açucarados na forma de xarope de (alta) maltose para redução de custo (o problema nem chega a ser o xarope, mas sua qualidade…), pois dispensa a fase de produção do mosto cervejeiro economizando energia, mão-de-obra e espaço físico, tornando a fase de cozimento (brassagem) dispensável, além de reduzir custos com a depreciação de equipamentos não utilizados no processo, e o tempo de tarefa. Ou seja, em nome do lucro, pra que qualidade?

Interesses particulares à parte, como sabemos, não existe só malte de cevada, sendo que muitos cereais, maltados ou não, são de extrema importância para a história da cerveja e se enquadram em estilos e conquistas regionais e culturais.

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