BANDA IMPERDÍVEIS - India Pale Ale_IPA

India Pale Ale – IPA

Gosto muito da história mais contada sobre cerveja no meio “artesanal”, que fala do transporte da bebida da Inglaterra para a Índia! A lenda diz que, para não navegarem vazios, os navios se enchiam de cerveja bastante lupulada, com alto teor alcoólico e baixíssimo corpo, para viajarem até as Índias em busca das famosas especiarias, chás, tecidos e tantas outras mercadorias que fizeram da região um dos destinos preferidos entre os colonizadores britânicos. Lupulada porque o lúpulo – conservante natural – contém propriedades bactericidas, alcoólica porque o álcool também ajuda a dar longevidade à cerveja e “pouco corpo” porque diminuindo ao máximo o açúcar reduz-se as chances de atrair microorganismos famintos. Com isso, a cerveja poderia suportar a viajem, que durava em média 6 meses, e manter suas características ao desembarcar em portos orientais.

BANDA IMPERDIVEIS - Barril IPA

Um briefing bastante complexo e desafiador na época para uma receita. Então, George Hodgson, um cervejeiro inglês, não só a concebeu, como ainda deu para a sua criação um sabor apreciado no mundo inteiro, com tanta personalidade que do estilo nasceram muitas variações como: White IPA, Black IPA, West Coast IPA, East Coast IPA, Session IPA, New England IPA, Belgian IPA, Red IPA, Brown IPA, Rye IPA… Alguns dizem ter sido Hodgson (outro bom mito!) da cervejaria Bow Brewery no distrito de East End, Londres, o primeiro a se aventurar pelas exigências e receitas que levaram à criação da IPA.

BANDA IMPERDIVEIS - Rota India

Mas outras histórias permeiam esta aí, tão romantizada. Descendente do estilo inglês Pale Ale, a India Pale Ale já nasceu de uma mãe repleta de histórias. As Pale Ales (Cervejas claras, de cor “palha”) invadiram o mercado inglês confrontando as já conceituadas cervejas “escuras” (Porter, Stout…). Nasceram também com a difícil missão de barrar a entrada das novas Lagers alemãs/tchecas, que estavam conquistando muitos paladares por sua refrescância e alta drinkability.

A Inglaterra, voraz colonizadora nos tempos dos grandes descobrimentos, possuía mais de 50 colônias (Estados Unidos, Jamaica, Nigéria, Canadá, África do Sul, Austrália…), tendo que suprir de cervejas não só a Índia, mas todas elas. Afinal onde tem inglês, tem que ter cerveja Ale. A Cia. Britânica das Índias Orientais não era a única empreitada inglesa e as IPAs não foram as primeiras cervejas super lupuladas na época. O estilo que apareceu por volta de 1760 teve o nome firmado somente entre 1829 e 1835, sendo conhecida por outros nomes anteriormente.

BANDA IMPERDIVEIS - Cervejaria Hodgson

Entre tantas lendas, o que se sabe é que um grande personagem, George Hodgson, estará para sempre na história das IPAs com suas ideias mirabolantes – como das tentativas catastróficas de se tentar fazer cervejas na Índia, país quente, sem os insumos necessários e de difícil acesso à água, ou das engenhocas inventadas para se fazer cerveja no navio, durante a viagem, para chegar fresquinha… – Hodgson não só resolveu esses problemas pela raíz, estudando e adaptando a receita, como também popularizou um método muito utilizado em cervejas de estilos lupulados, principalmente as Americans IPA, o Dry Hopping, ao colocar mais lúpulo na cerveja antes de sua partida para os territórios colonizados, para conservá-la ainda mais dos perigos do caminho. Conta a lenda que Hodgson ficou por muitos anos produzindo e comercializando suas cervejas para as colônias inglesas quase como um monopólio tornando sua East India Pale Ale no mínimo muito popular na época. Sua influência começou a diminuir após outras cervejarias passarem a usar e se beneficiar das características das águas ricas em sulfatos da região inglesa de Burton-upon-Trent que combinaram perfeitamente com os estilos originados das Bitters.

BANDA IMPERDIVEIS - Ballantines IPA

Após um período de baixa popularidade principalmente pelo sucesso das cervejas de baixa fermentação, as Lagers – que se beneficiou muito da invenção do refrigerador, séc XIX – o estilo IPA praticamente desapareceu em meados do séc. XX, mas foi resgatado por volta de 1980 pelo movimento The Craft Beer Renaissance e pelas mãos dos experimentadores cervejeiros americanos, que revisitaram antigos estilos para recriá-los, como o da clássica IPA do imigrante escocês nos EUA, Peter Ballantine, que em 1830 produzia uma receita muito fiel da original IPA. (Ballantine’s IPA, uma cerveja envelhecida em carvalho usando uma velha receita inglesa).

As IPAs americanas ganharam popularidade no mundo inteiro com seus lúpulos mais cítricos e intensos, enriquecendo a bebida de sabores e aromas, atraindo hopheads do mundo todo.

Fica difícil acreditar que os colonizadores ingleses, entre eles os próprios beberrões marinheiros, precisassem de uma cerveja conservada e fresca só na Índia, e também que ficassem sem boas Pale Ale e Porter típicas, mas o que podemos acreditar com convicção é que a IPA, com toda a sua ousadia e potência, agradou muito desde seu aparecimento, tanto que desde 2011 cervejeiros do mundo inteiro comemoram o IPA Day na primeira quinta-feira do mês de agosto!

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